12.12.14

Ela não vai te esperar pra sempre

maarinolasco 🌻
Cara, escute agora o que eu tenho pra te dizer: ela não vai te esperar pra sempre. Mesmo gostando de você como ela gosta, mesmo te olhando como não costumam te olhar, não, ela não vai te esperar. Não importa se ela se derreteu por você, te escreveu no meio da madrugada e se declarou num áudio meio cantado, meio gritado. Se você deixá-la passar, se você não a perceber, eu garanto: tudo dela que um dia se derreteu, virará gelo novamente.
Então, olhe pra mim: se você gosta dela, não perca tempo. Você não vai querer descobrir que ela está viajando pra Trancoso com o novo namorado, enquanto podia ser você. Que o Arctic vai tocar aqui, e você não tem mais pra quem cantar Mardy bum. Que aos poucos a imagem marcante que ela tinha de você vai se apagar da memória, por que "ele era legal, mas muito complicado pra mim."
Ela não quer alguém complicado, mas, por sorte, ela ainda te quer. Se ela ecreve que está com saudade, e você também está, então responde de uma vez. Esqueça o "verdade, precisamos marcar qualquer dia", ou aquela carinha sem graça que sorri. Diga: "Eu também estou. Nos vemos hoje?"
Não é tão difícil fazê-la ficar, ela já gosta de você. Ela até convive muito bem com seus video-games e a sua aficionada ideia de montar uma banda. Ela só não ficará quando perceber que não vale mais a pena. Mas, e aí, você vale a pena? Não diga pra mim, mostre pra ela.
-Celio Heitor Sordi

Você vai encontrar uma mulher incrível e vai perdê-la

Existem alguns tipos de mulheres que você vai encontrar na vida. Tem aquelas que te fazem enlouquecer por uma noite. Tem aquelas que vão chegar e vão te fazer esquecer todas as outras. Tem também aquelas que você acredita que quer passar a vida toda ao lado delas. E, ainda, aquelas que você realmente vai ter certeza que vai passar a vida toda lado a lado. E tem as mulheres incríveis.

As mulheres incríveis não são como as que você sempre sonhou. Elas são bem mais. Geralmente elas chegam no momento em que você, por alguma razão, não vai conseguir segurar a bronca. Você vai perdê-la. E, pior, o que vai ficar na lembrança não será a razão de tudo acabar, mas sim os bons momentos. No caso dela, os momentos incríveis. E lembrar desses momentos é bem mais doloroso, acredite.

Lembro cada segundo que vivi ao lado da minha mulher incrível. A gente naquele pub, ela de blusa azul, os cabelos  pretos, olhos hipnotizantes, vindo me abraçar, o beijo mais intenso da vida. O riso solto, aquela boca toda aberta, gostosa. O apetite quase-macho para cerveja e cachaça. A dançadinha sexy ao som do rock naquele pub, alta noite, cabelos de lado. E ela ainda sabe tudo de futebol, rock and roll. Os momentos em que ela deixava de ser amulher-fatal-incrível pra ser só uma menina que quer um ombro – ali, o meu. E você realmente acredita que o mundo é bacana.

Ela quase ter sido sua é muito pior do que ela nunca ter sido. O que é ter do seu lado tudo aquilo que sempre desejou que Deus fizesse daquela parte da sua costela. Morena, sarcástica, cheia de frases, definições e comportamentos. Atrevidos, apaixonantemente tímidos, quando lhe convém. Impõe sua presença. Conhece as regras tanto de um jantar cinco estrelas como de uma trepada num pulgueiro qualquer, alta madrugada. Ela é um tratado. Ela é rock and roll. Ela é uma Zelda Fitgerald moderna. Por ela até eu, coração alvinegro, fiquei com mais simpatia pelo Palmeiras. Como disse, ela é mais, mais até do que a rivalidade clubística. E ela quase foi minha.

Quando a vida aperta, são esses momentos com a minha mulher incrível que eu lembro. Dói, mas, ei, é por isso que a gente está nessa vida. Se em algum momento você tem alguma dúvida se a vida vale, são momentos como esses que atestam que sim.Sua esperança é que eles em algum ponto futuro se repitam. A vida vale.

Te lembrou alguma coisa, caro leitor? Você já passou por uma mulher dessa? Ela está aí, enquanto você lê esse arrazoado de qualidade duvidosa, circulando só de calcinha e camiseta da Patti Smith? Aproveite, guarde esse momento. Cedo ou tarde ela vai embora e a culpa vai ser sua. Mas como ela é incrível, vai viver sem mágoas, ser sua amiga, vai te chamar para tomar cerveja, bater papo, você vai nutrir a esperança de um novo encontro pelos anos seguintes. Até ela te dar um fora, como a minha fez, altamente educada e sutil, dizendo coisas como “tive que ir embora, mas te considero muito”. “Te considero muito”, da boca dela, é bem pior do que o “gosto de você como amigo” daquela paixão adolescente.

E dessas paixões, como diz o amigo Xico Sá, só vão ficar as memórias e o gosto da vodka que te ajudou a afogar as mágoas. Como o mestre ensinou, o segredo é tocar adiante, porque “não há guarda-chuvas para o amor. Não há barcos, salva-vidas, só perdição e enchentes”.Quando se perde uma mulher incrível, não é só uma derrota, é uma vida. Ela vai arrancar suas vísceras afetivas e mesmo assim você não vai deixar de sonhar com ela. As minhas vísceras ela arrancou via telefone, na chamada mais dolorosa que já ouvi. Fiquei um bom tempo sentado na calçada, telefone desligado, amaldiçoando a sorte e Graham Bell.Mas vale. Encare. Sofra. Bote pra fora. De uma forma bem melhor do que eu com essas mal traçadas. Depois me conte. Depois dela, seu coração estará calibrado para tudo. Ou quase.

Se ela reaparece, você casa.
-Alexandre Petillo

As lições empíricas do amor

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Ninguém nasce sabendo andar. Dizem que eu, sempre boa entusiasta da mansidão da vida, demorei pelo menos uns quinze meses para começar a cogitar a possiblidade de levantar minha bela bunda cheia de talco e Hipoglós dos aconchegantes colos que me embalavam tão maternalmente. Quando levantei, é claro que não foi lá essas coisas: faltava coordenação, faltava atenção, faltava concentração, faltava disposição. As pernas curtinhas não se entendiam muito bem. Não se movimentavam no mesmo ritmo. Acabavam, hora ou outra, sempre dando um jeito de derrubar aquele belo bebê bobo no chão. E quantos tombos. E quantos choros. E quantos risos. E quantos roxos.

Muitas quedas mais tarde, finalmente comecei a ensaiar passos mais ajustados, sincronizados, alinhados, bem treinados. Vez ou outra, a euforia e autoconfiança infantis obviamente ocasionavam alguns pequenos tropeços esbaforidos e às vezes até grandes e constrangedoras quedas disfarçadas pelos sorrisos de quem já não tem mais idade para cair. A verdade é que até hoje eu caio de vez em quando. Aprendi a rir das minhas quedas, mas é natural que algumas ainda causem dor. O importante é que agora eu ando. Corro se quiser. Pulo se quiser. Pulo numa perna só se quiser. Planto bananeira se quiser. Encosto o pé na cabeça, acredite se quiser.

E aprendi que com o amor também é assim. Aprendi empiricamente, usando aquele mesmíssimo método de quedas com o qual entendi as penosas lições do andar. Aprendi que como em quase tudo na vida, no amor, é a prática que leva à perfeição. Ou à imperfeição, já que é ela quem traz tamanha graciosidade a essa energia linda que chamamos de amor. Aprendi que não adianta você tentar amar certinho logo de cara. Tem que amar errado mesmo. Assim meio desajeitado. Assim desconcertado. É amando desse jeito esquisito que aos poucos você vai aprumando o passo. E o laço. E o compasso. E o abraço.

Dizem por aí que ninguém aprende nada com os erros alheios. E nesse caso isso tem peso dois, Meu Amor. Cada um tem seu jeito de amar. Por mais que você ouça os conselhos mais bem intencionados, leia as mais românticas histórias já inventadas, consuma todo o conteúdo desses blogs apaixonado ou ouça música sertaneja no último volume com um pote de sorvete nos braços , nada adianta se você não treinar. Entende de uma vez por todas: é amando que se aprende a amar.

Sempre tive raiva de gente mesquinha. Gente que economiza amor, então. Por estes guardo imenso rancor. Gente que diz que tem medo. Que ela(e) não merece. Que não vale a pena. Que não é a pessoa certa. Entende, Amado: não precisa ser. Treino é treino, jogo é jogo. Ama. Nem que seja só um aquecimento. Só uma pelada de final de semana. Só um gol a gol de quinze minutinhos. Mas ama. Quem ama mais, ama melhor. E você nem imagina como são felizes os bons amantes.

Não se torne menos amável após um desamor. O mundo precisa de gente disposta a amar. Compreende que amores passados são treino para os amores que estão por vir. Ria deles. Percebe que o amor não é bem finito. Você não precisa poupar. Ele se reproduz mais do que os lactobacilos vivos daquele iogurte estranho que você graciosamente insiste em tomar.

Então ama. Ama porque sempre vale a pena. Chama de amor mesmo. É curtinho. É bonito. É sonoro. Não precisa dar rótulo, nome, sobrenome, registrar nem reconhecer firma. Só ama. Uma hora, depois de tanto treinar, do mesmo jeito que você aprendeu a andar, vai aparecer aquela outra perna disposta a te acompanhar que caminha no mesmíssimo ritmo que a sua. Vocês vão cair, vão tropeçar, vão levantar. Vão se coordenar, vão se organizar, vão caminhar. Vocês vão se amar.
-Eduarda Costa

Nos olhando como se quiséssemos

antisocial
"[...]Juntos somos esse compasso nas artimanhas de matar um leão por dia, chegarmos em casa e curtirmos um banho junto. Então, naquela noite, apontei pro celular e ela sem entender o puxou e me olhou com aquele rosto de que palavras não traduzem. Não quis expor um sentimento abafado, uma saudade esquecida ou uma paixão viva. Nada disso. Quis apenas deixá-la tentar traduzir como éramos, somos e nos tornamos.

A mensagem: ‘Então, eu estava aqui te vendo e me lembrei daquela sua fissura por tacos mexicanos. Lembrei também da sua consciência que Coca-Cola faz mal, mas que, mesmo assim, não vive sem. E se já desencanou daquela história que falei sobre qual filme é melhor, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças ou Closer – Perto demais, quando o assunto é filme sobre relacionamentos. Te olhando daqui tive uma impressão (leia-se certeza) de que a gente tem uma paixão que é boa, que durou e hoje restam as histórias. E o melhor de tudo, a gente sorri(a) de cada bobagem nossa. E isso é bom. Então, beijo, se cuida e seu ônibus chegou tem um minuto. Saudade!’.

Pode até ser que nós quiséssemos nos encontrar novamente, mas deixo isso a cargo da vida, ela que sabe tão bem o que nos reserva em cada beco, esquina, rua e estradas nessa cadeia de aprendizados e amores."
-Jonas Sakamoto

8.12.14

A vida não cansa

E cada dia preciso conviver e aceitar tantas novidades que tenho deixado a ansiedade e a angústia apagarem qualquer sorriso. Mas agora essa. Mais essa. Tudo bem. Bem não, na verdade. Fico me questionando os erros. Eu te vejo pelas fotos e não sei se sinto falta ou se sinto muita falta. Quantas mudanças perdidas, mas sonhos esquecidos. Quanta história que ficou para trás, sem explicação alguma. Simplesmente deixaram de fazer sentido.
Talvez burros sejam os que esperam - eu. Realmente aquelas vontades nunca vão acontecer. Mas eu te aceitaria de volta, talvez.
Podia contar a cena, chegar de viagem e te encontrar em casa, um jantar, a cama arrumada e muito amor pra dar, e receber. Podia dizer que eu só abriria a porta da minha casa de novo, se quando  chegasse, ela ja estivesse aberta. Por que não vale abrir a porta da minha vida pra alguém que pede pra entrar. Eu nunca me atraí por clichês. Não preciso de príncipe com flores no portão. Eu quero deitado na minha cama. Simplesmente por que a gente era assim. Nunca fomos o certo, o normal, o tranquilo. Mas eu gostava desse nosso jeito. De não saber o que esperar mas no final do dia te ter na tela do meu celular me desejando boa noite. Por que entre tantas incertezas que a vida nos deu, eu gostava de fechar o olhos e acreditar que poderia te sentir por perto sempre que quisesse. Gostava.

-Juliana Gonçalves