27.9.14

O fato de não te ter mais

photographer  | via Tumblr
Passo a semana inteira esperando pelo fim de semana, e toda a vez que ele chega, eu respiro fundo, e me afundo na cama, com esse barulho do ventilador, com a escuridão meio clara da noite, na frente de folhas em branco, músicas confusas e incertas e ao mesmo tempo o silêncio e o vazio de dentro de mim. Dou uma vasculhada pelo mundo do meu celular, tentando te encontrar, e me convenço de novo que, de uma vez por todas, dessa vez, eu vou me virar sozinha. Eu juro.
E depois, a semana me engole de novo, o tempo passa correndo tão rápido que só quero o meu espaço da semana em que posso tentar por pra fora aquilo que fica trancado aqui há tempos. Te procuro nos textos, nas letras que podem nos descrever, e finalmente que eu possa ler algo e pensar: é exatamente isso. Mas isso não existe, por que eu tento, e até hoje não achei.
Não sei se eu mesma me escondo pelos cantos dessa casa, ou se esse sentimento se esconde dentro de mim. Não sei se esses erros e tropeços foram tão significantes assim, ou eu simplesmente não quero mais arriscar – por que dói. Não venho reclamar que meus passos estão mais lentos, meu pensamento anda longe e a atenção já não mora mais em mim. Não venho se quer querer demonstrar alguma coisa. Fica mais fácil assim, ou pelo menos aparenta. Às vezes precisava só de uma chance de limpar a alma, deixar escorrer as frustrações e largar tudo pra trás.
Ponho minha autoestima no lugar, seguro com força a minha segurança, e ergo a cabeça. Mas sempre que te vejo indo pra longe, tudo escapa do meu alcance. Me sinto de novo indefesa, com medo, quase implorando por alguns segundos de tranquilidade emocional, ou sei lá o que. [...]
(Juliana Gonçalves)

20.9.14

Confissões de uma adolescente, filme (2013)

"Às vezes eu me pergunto quantas confissões já foram escritas e apagadas desses campos em branco do facebook, quantas declarações diretas de amor já foram substituídas pelo Ctrl+v da letra de uma música na esperança de que aquela pessoa, e apenas aquela pessoa entenda o que você ta sentindo, quantas piadas já foram cortadas no twitter por que um autor não conseguiu reduzir o seu comentário para 140 caracteres, de repente aquela barrinha que fica piscando sem parar é quem mais sabe de você, que sabe todos as coisas que você não tem coragem de publicar pra todo mundo ver. Essa pergunta é errada né!? Não deveria ser "no que você ta pensando", seria muito mais honesto: o que você quer que as pessoas vejam no que você ta pensando, no tempo dos meus pais era mais fácil, as Meninas tinha um diário e escreviam tudo neles, ninguém ia ler, poderia escrever qualquer coisa. Devia ter um diário..."

18.9.14

Imploro: paz


~ Your window pain - Kirsch & Bass ~
Podia citar mil e um motivos para hoje não te querer de volta, podia te expulsar da minha cama mesmo que o calor estivesse aconchegante, e olhar no fundo dos teus olhos pra contar que eu não te amo mais. Eu podia me expor, podia gritar pro mundo "tudo sempre dá errado, e essa merda de amor..... essa merda de amor, não existe". Tudo são fases, são momentos. Podia chegar ao pé do ouvido e provocar ciúmes, instigar, inventar mil e uma histórias e mil e uma noites de amor, com outras companhias. Eu podia vir dizer que cansei dos clichês que a vida oferece, dessa historinha perfeita, desse romance cínico. Nem tudo são rosas, e se são, rosas também espinham. Podia reclamar que não quero mais tentar, que as esperanças já estão todas esparramadas. Podia fazer um drama, contar minhas experiências e te provar, que realmente não vale a pena. Podia esconder que meu corpo implora por um tempo, um momento, paz. Mas o tempo vive em guerra com a vida.
A verdade é que eu não sei nem por onde começar. Quem sabe não senta aqui do meu lado e me ajuda a juntar os cacos, o resto, o que sobrou? Mesmo que eu goste de silêncio, eu gosto da tua companhia. Mesmo que as promessas pra mim já não sejam mais válidas, mesmo que o meu sorriso não brilhe tanto quanto como nas noites que eu podia deitar no teu braço, e te dar a mão, e de repente dizer que te amava. Mesmo assim, sabe?
Eu podia muita coisa, queria muita coisa, e to aqui.... De novo, ouvindo o barulho do vento, vendo a escuridão da noite, encantada com o brilho que as estrelas exibem no céu. Aqui, de novo, recomeçando, mais uma vez.
-Juliana Gonçalves

Sonhando com um amor que não existe

Beauty 🙊💞
Talvez eu não mereça amar. Mas todos merecem. Dizem por aí. Então talvez eu não saiba amar. Mas todos já nascem sabendo. Dizem por lá. Já sei, então talvez eu não saiba descobrir o amor entre as paixões que me passam sorrindo. É isso. Sorrisos lindos já me deram bom dia, mas, nem sempre dei oportunidade deles me darem boa noite. Talvez por medo, receio de um amanhã farto de mais do mesmo, ou por achar que, por mais gostoso que esteja, ainda falte algo. Mas será que falta?
Minha vida é ilusão e filme. Choro e riso. Medo e vontade. Dúvida e sonho. Confesso que volta e meia me perco em amores que não existem. A vida nos guia, as concessões são necessárias, o dia a dia cria os amores e desafetos, as perfeições são utopia, todos sabem, mas, hoje, é exatamente isso que eu quero: sonhar com um amor que não existe.
Diferente de idealizar, sonhar é gostoso e saudável. Qual seria a graça da minha infância se eu não sonhasse em ser astronauta, ou, se eu não pudesse lutar contra os dragões de duas cabeças que insistiam em querer roubar meu sucrilhos? Sonhos não geram frustrações, expectativas geram frustrações.
Deixar o coração descontrolado é uma delícia! Mas, procurar o amor é, vezes, procurar a dor. A dor e o amor se escondem num baú de sentimentos, um ao ladinho do outro. E quando vamos apanha-los não sabemos o que estamos tateando. Pois, nesse baú de sentimentos, as escolhas só podem ser feitas de olhos fechados. Os sentimentos não permitem que sejam vistos e escolhidos pelo crivo do olhar, mas somente pelo sentir do coração. A surpresa é eterna, mas que tenhamos sorte nas escolhas. Independentemente do que agarrarmos, espero que os amores façam sorriso das dores, e as dores façam querermos amar mais. Por mais difícil que seja.
Hoje, pra mim, o amor dói. Já amanhã, espero que seja somente uma dor que passou, um sorriso que ficou e um beijo que insiste em me acordar.
-Frederico Elboni

Esperar, desespera

Untitled
Eu não podia esperar por você pra sempre, né? Eu vou me casar. Ele é bom e me ama de um jeito doce e sincero. Talvez, me ame até mais do que você. Ele conta fatos engraçados e me faz rir. Tudo bem que você sabia me fazer rir mesmo sem dizer nada. Mas ele se esforça para ver a minha felicidade. Ele é fiel e sempre deixa claro que nunca irá me trair.
Eu odiava a insegurança que sentia quando você não estava ao meu lado.
Ele não tem medo de gatos como você. E até propôs que comprássemos um em nossa nova casa. Sim, a gente mora junto. Ele tem um bom emprego e agora eu trabalho também. Estou naquele hospital que sempre te falei, mas você nunca lembrava qual. Parecia que não prestava atenção nas coisas sobre a minha faculdade. Ele não conhece metade das músicas que a gente cantava juntos. E isso é bom porque em nenhum silêncio de domingo, ele cantarola algo que me faça lembrar de você.
Eu adorava os nossos domingos.
E devo assumir que ainda sinto a tua falta. Principalmente nos dias frios. Ou nos dias de sol. Ou nos dias de nada. Quando eu saio com ele e ficamos até o fim dos eventos, lembro de como eu e você não conseguíamos ficar tanto tempo em meio ao público. A gente sempre dava um jeito de voltar correndo para o nosso pequeno sofá-cama. Lembra?
Eu não.
Passaram alguns anos e soube que você se apaixonou por algumas meninas pelo caminho. Eu estou ficando velha e preciso criar a minha família. Preciso continuar os meus próprios sonhos – aqueles que nem lembrava ter antes de você chegar e tornar tudo “nosso”.
Eu não podia esperar por você pra sempre, droga. Mas eu tentei. Eu quis telefonemas após eu desligar o telefone. Eu quis visitas após bater a porta na tua cara. Eu quis palavras doces após xingamentos desnecessários. Eu quis você em tantos caras com cabelo bagunçado que até perdi a noção dos meus próprios gostos.
-Hugo Rodrigues

13.9.14

Mesmo assim

Gostava de brincar, jogar as cartas já sabendo quem venceria, bajular esperando a mesma resposta, sorrir e te ver sem jeito de novo. Gostava das primeiras vezes, dos primeiros passos, dos nossos receios, medos, curiosidades, da forma leve e segura que punha as mãos sobre o meu corpo, e me acariciava até eu recostar sobre teu peito, implorando que a noite não se acabasse nunca. Gostava das nossas trocas de olhares tímidas, das implicâncias sem fundamentos, dos ciúmes descomprometidos, das nossas histórias de aventura mesmo que sem sermos um só. Gostava de tua pretensão de me ter quando queria, da certeza de me pedires a mão e eu estender o braço, das loucuras impróprias, inclusive pra nós dois. Gostava de como a vida sempre deu um empurrãozinho, e como não deixamos que ela nos atirasse de uma vez só. Gostava de como nós éramos inocentes, mesmo que ela ficasse esquecida em casa quando eu ia te ver. E gosto de ver o quanto de tempo passou, e ainda posso abrir os olhos e me surpreender, ainda sinto o frio na barriga sempre esperando sentir a primeira vez alguma coisa diferente, por que a gente não explica, nunca explicou, só deixou acontecer, e cá estamos nós... [...]
Xoxo

(Juliana Gonçalves)