25.7.14

Esse discurso não deveria incomodar

Você conheceu um cara incrível ontem. Ele é amigo do namorado da amiga da sua amiga. Não importa, ele gostou de você. Gostou do seu batom vermelho, do seu riso debochado e do cheiro que sentiu quando você chegou perto pra dar um ‘oi’. A malícia nos olhos dele deixou claro que ele sabia o que o seu oi significava: você queria fumar um cigarro, nua, na janela do apartamento dele, enquanto ele adormecia, exaustivamente satisfeito, com os seus gemidos ainda ecoando no quarto desarrumado.

E você – cujos olhos têm malícia também – soube ler no sorriso dele que ele queria mesmo arrancar seu sutiã no final da noite. Sem ter que pedir seu e-mail, nem conhecer sua mãe, nem saber qual é o seu prato preferido e nem te chamar pra jantar no japa.

No fundo, no fundo – e do alto da sua safadeza genuína – pouco te interessa se ele vai ligar no dia seguinte; não te interessa se ele ronca, porque você vai sair de fininho quão logo estiver saciada. Vai fechar a porta devagar e pegar o primeiro táxi. Sem deixar nem um bilhete na geladeira – porque, pra você, foi o suficiente. O agora valeu a pena e não precisa ter depois.

E quando você está quase absolutamente convencida do seu direito – pensando bem, não é um direito, é uma vontade mesmo – de querer só sexo casual, a sua amiga politicamente correta e entediante até a alma, fala alto no seu ouvido (por causa da música contagiante, que seria capaz de te salvar de ouvir aquela asneira): “Cai fora, ele só quer te comer!”

Ele só quer te comer. Como se você tivesse saído pra a noite, com a sua micro calcinha recém comprada e suas boas doses de tequila pra procurar um casamento. Um cara que tivesse um bom emprego e uma mãe menos chata que as sogras que você já teve. Que bebesse pouco e quisesse ter filhos, que não roncasse e também quisesse uma lua de mel em Veneza – porque qual mulher não quer uma lua de mel em Veneza? – ah, é, você não quer. Você só quer transar – e qual é o problema nisso?

Então, junto com essa nossa tão sonhada e, pouco a pouco conquistada liberdade sexual, deveria vir um manual de instruções sobre como se livrar da hipocrisia (e como ensinar isso às nossas amigas certinhas). Pra que toda mulher que quer sexo casual compreenda que não há nenhum desvio de caráter em um homem que quer só sexo casual. E isso quer dizer que não há nada de errado no fato de ele só querer te comer, desde que isso fique claro pra você – é como um ‘li e aceito os termos de uso’ – ninguém engana ninguém e os interesses coincidem.

Então você aprendeu que não há nada de errado em querer sexo casual. E não há nada de errado em um homem só querer sexo casual com você – isso não te faz uma biscate. Isso não significa que você não é digna de alguém que te dê mais que sexo: Pode significar – e significa, muitas vezes – que você simplesmente não quer alguém que te dê mais que sexo. E então, depois de jogar toda a hipocrisia na primeira lixeira pública, encha o peito pra responder à sua amiga politicamente careta: – Ele só quer me comer?! – ótimo. Eu só quero comê-lo também.

-Nathali Macedo

5.7.14

Mas, e se..

Queria eu, sentar no sofá da sala e assistir um filme, dividir a coberta, a cama, a vida, e ser tudo novidade. Queria eu conhecer o novo, o diferente, o inusitado, o motel, a noite longe, a brincadeira inesperada, e que também fosse estranho pra ti. Queria eu ter as primeiras vezes, e não te dar as tuas segundas, ou terceiras. Queria ser mais alguém que mudasse alguma coisa, que recomeçasse, e que mesmo desse jeito, não muito ousado nem forçado fosse o bastante. Queria eu ser o suficiente...
-Juliana Gonçalves

4.7.14

Me conta do futuro

Untitled
Então vem aqui, me contar dos planos. Diz o quanto a vida é difícil, o quanto estudar é cansativo, mas que tudo vai valer a pena. Ri como criança com esse futuro acontecendo, agradece pelos minutos a mais no fim do segundo tempo, pelas chances, pelas oportunidades. Me mostra teu planejamento, tuas vontades, teus sonhos. Diz que nunca vai deixá-los pra trás, diz que está lutando por um único ideal. Não abaixa a cabeça não, sente essa brisa boa que chega sem perguntar, olha como renova a alma olhar longe, e enxergar tudo tão perto. Vem aqui me contar, vem...
-Juliana Gonçalves