23.9.15

Já não sou aquela trouxa que você conheceu


Apesar de não me importar mais, de qualquer explicação que você venha me dar não me convença, nem lhe vitimize de qualquer culpa, eu quero te perguntar por que você me traiu? Me traiu só por trair? Me traiu por que se sentia vulnerável e por que a gente não estava em uma fase tão boa? Me traiu quando na verdade não queria, mas o impulso foi maior que sua pessoa? Me traiu por que eu não tinha tempo pra você, é isso? Foi um soco no estômago. Você me destruiu, LI-TE-RAL-MEN-TE.

Eu não queria te deixar ir, e mesmo depois do nosso fim, eu continuava fazendo aquele meu velho papel de trouxa. Eu te cobrava, passava na tua cara tudo o que você não foi capaz de me dar. Eu me consumia, dia e noite. Perdia tempo, me desgastava por absolutamente nada. Você era irônico nas conversas. Se fazia de inocente, jurava de pés juntos que não fez nada por mal, e que a louca nisso tudo era eu, que a culpa de enxergar as suas canalhices e seu jeito escroto de ser, era exclusivamente minha. Você sempre o certo, sempre. Depois que acabamos, passei dias pensando em como não pensar mais em você, porque por mais que você tenha me machucado, era você quem eu achava que deveria ser. Depois que acabamos, juro, tentei me ausentar. Excluir o teu contato do WhatsApp, apaguei as suas fotos do meu celular, te bloqueei no Facebook e fingi que não lembrava do teu número. Só fingi. Tudo que eu queria era distância de você, não receber noticias tuas. Meus amigos me diziam pra deixar de ser trouxa. Eu pensava: ''Será que ele já encontrou outra pessoa?'', ''Será que está por aí, curtindo?''. Eu me preocupava com o que já nem tinha mais a ver comigo. Eu tinha medo de ver o cara que eu escancarei o peito e me permitir amar, com outra pessoa. Tinha medo de saber que o cara que eu achava foda, fodeu com tudo e já estava sorrindo com outra.

Pra honrar o título de papel de trouxa, voltei atrás, resolvi te desbloquear no Facebook, adicionei novamente o seu número em meus contatos, me arrependi de ter excluído as fotos da nossa última viagem pro litoral do nordeste. Perdi algumas noites só pra ficar observando a sua última hora de visualização. E se você estivesse online, já era o suficiente pra que eu me sentisse péssima. Pensava: ''Ele encontrou outra pessoa, fodeu pra mim!'' Era difícil admitir que o cara que me fazia sorrir, se transformou no cara que só me fazia chorar. Que o cara acordava do meu lado, poderia estar dormindo com outra, e o pior nisso tudo, não fez o mínimo de esforço por mim. É difícil admitir que o teu amor não quer ser mais teu, e que apesar das lembranças, não adianta insistir, porque quanto mais insistência, mais dor se acumula. Eu ficava sem saber o que fazer, se saia ou se ficava em casa mesmo, dormia mais cedo, sei lá. A impulsividade tomava conta de mim, eu achava que a tua ausência tinha que ser explicada, que o seu sumiço tinha que ser esclarecido. E novamente corria atrás de você. Era difícil aceitar os fatos e acreditar que o cara que eu amava foi mesmo capaz de acabar com tudo, esquecer de mim e além de tudo me culpar por isso. Eu achava que você não tinha o direito de me deixar enquanto houvesse amor em mim, mas a verdade é que você tinha. Eu que não tinha o direito de perder o meu tempo por tão pouca pessoa. Eu não me sentia satisfeita com a ideia de que você estivesse livre enquanto eu ainda me sentia tão presa. E mais uma vez eu me importunava, começava o dia com longas conversas que não davam em absolutamente nada, muitas perguntas não eram nem respondidas. Você me xingava, eu te xingava de volta. Eu iria pro trabalho sem paciência. Enquanto eu não me decidisse de uma vez por todas e seguisse em frente, eu sabia que continuaria ali, parada, confusa.

Eu me perguntava: ''Por que você fez isso?''. Você falou pra eu me virar com os meus sentimentos. Você falava em tentação, dizia que a carne era fraca, e que simplesmente, não podia fazer nada se alguém insistia em ficar com você. O tempo passou e as lições da vida apareceram. Eu amadureci, já não sou aquela trouxa que você conheceu, já não tenho aquela ingenuidade tamanha, e você tem um pouco de culpa nisso. Talvez você já nem seja o canalha de antes, duvido muito, mas vai saber. A vida vai te mostrar quem fez a escolha errada e por favor, não a culpe se alguém te decepcionar como você me decepcionou, porque estarei aqui pra provar que oportunidades você teve, só não soube aproveitar. Você poderia ser o amor da minha vida, mas preferiu ser a minha maior decepção. Eu sigo em frente, caminho reto, sem nem olhar pra trás. As perguntas que um dia te fiz e ficaram sem respostas, deixa pra lá, já nem me importam mais.

-Iandê Albuquerque

22.9.15

Me falta o resto


Já decorei as frases dos filmes românticos, chorei cada vez que vi e revi as histórias, pensei quanta coisa poderia acontecer, e nos meus sonhos mais loucos eu realmente quis que desse certo pelo menos uma vez. Tudo bem que já perdi as contas das desilusões, talvez realmente tenha cansado de acreditar, mas quando percebo, me flagro esperando de novo que chegue aquele pra dizer que é a exceção, que é diferente, que pode ser tudo exatamente como eu planejei, ou ainda melhor.
No fim das contas, arrumei meu vestido, desenhei como eu queria, passei, deixei ele pronto, comprei o sapato perfeito, os brincos, os anéis, fiz o cabelo, a maquiagem, me olhei no espelho e me senti a legítima princesa. Me faltava o par, que me olharia emocionado quando eu descesse as escadas, que me levaria uma flor, que abriria a porta do carro, que dançaria junto, que tornasse uma noite normal em um momento inesquecível.
Também comprei umas velas, pensei em um jantar, uma decoração, as luzes baixas e coloridas, um som de fundo, tudo arranjado. Mas dessa vez não queria organizar, não queria fazer planos, nem tentar surpreender. Queria ser surpreendida, queria chegar e receber de presente todo e qualquer chamego e carinho que existe nesse mundo, e talvez com alguma declaração pequena, notar que meus olhos se encheriam de lágrimas, e minha mão tremeria de nervoso.
E também pesquisei na internet um quarto em um hotel na beira do mar, o último andar, pra poder passar o ano novo à dois, com muita champagne, comida, lençóis, estrelas e amor. Não valeria a pena fazer sozinha, nem escolher qualquer companhia, por que só rola se fosse daquele jeito que eu sempre esperei.
Eu escrevo todas as minhas mais loucas vontades, não canso das minhas longas insônias tentando acertar o momento, o lugar, os diálogos, o clima e todo o resto. Mas pensando bem aqui, seria muito fácil dar as receitas, os passos, contar sobre como eu quero casar, como imagino uma família, e a vida daqui alguns anos. Queria mesmo é que eu me espantasse com coisas totalmente diferentes e que me fizesse feliz de uma forma que nunca pensei. Os clichês não saem da minha cabeça, por que a realidade enfraquece, mas os sonhos me salvam.

-Juliana Gonçalves

Sobre casamentos e vontades

A Late Spring Wedding in Brooklyn, New York : Brides
Sabe o que é? Nunca me importei com essa história de ser cedo demais, a verdade é que a melhor sensação sempre vai ser a certeza de que tenho alguém do meu lado. Eu quero mesmo juntar as escovas, dividir o mesmo apartamento, saber das fraquezas, dos medos, das inseguranças de alguém. Eu gosto de ter alguém do meu lado toda noite na hora de dormir, gosto de sentir no meu dedo um compromisso, gosto de promessas verdadeiras e de declarações de amor no meio da noite. Eu nem me importo com o que está passando na televisão se estiver recebendo cafuné, e eu também não tenho problema em me sentir um pouco dona de casa se eu puder viver o sonho de ouvir a porta abrindo e sabendo que ele está chegando em casa. Eu nem se quer nasci pra essa coisa de conhecer gente nova, nunca gostei de socializar e muito menos de ter que experimentar o desconhecido. Eu gosto de ver filmes de novo por que já sei o final, sofrer por não saber o que pode acontecer com a mocinha me faz mais insegura. Eu adoro sentir ciúmes e receber um puxão pela cintura e um cheiro no pescoço, que me faz sentir que somos nós dois, e não importa mais nada. Gosto de ir no jogo nos domingos, depois de um churrasco de família, e depois tomar uma cerveja no bar e comentar como o time tem se recuperado. Eu amo qualquer coisa que envolva uma foto daquelas de exposição, aonde toca "let's stay together" e no fim todo mundo acaba dançando na festa de casamento, esperando o felizes para sempre. Eu quero tudo isso e mais um pouco. Falta alguém que também queira tudo isso, falta achar alguém, falta.... Muita coisa, na verdade.
-Juliana Gonçalves

16.9.15

Happiness


    A gente percebe que amadureceu quando se convence de que o passado precisa ficar na área das lembranças, que o próximo passo é sempre mais importante do que tentar reviver algum momento antigo, que as pessoas mudam e que nós mudamos também. O que quer dizer que selecionamos melhor quem frequenta a nossa casa, quem participa das nossas escolhas, quem contribui na nossa vida. E que temos que deixar pra trás o que atrasa, por que o tempo não para nem um segundo se quer.
    A gente percebe que virou mulher quando começa a aceitar o espelho, quando percebe um estilo próprio, quando entende de maquiagem, de vaidade, e principalmente de amor próprio. E magicamente começa a se sentir satisfeita com aquela roupa que não parecia legal, mas agora.... E usa aquele sapato que sempre ficou guardado, mas é lindo. Ou quando nota que, o que todo mundo usa, não necessariamente precisa estar no guarda-roupa.
    A gente percebe que anda feliz quando sorri da vida, sem motivo algum, quando dança pela casa cantando, quando se enche de planos e começa a correr atrás. E escolhe melhor a quem vai dar as chances, e que oportunidades valem a pena. E principalmente quando os dias vão nos deixando satisfeita, e a vida se torna mais leve. A gente não precisa de ninguém que nos complete. a gente pode se transbordar sozinha.
-Juliana Gonçalves

9.9.15

Esta é a sua despedida da minha vida

Walks
Nós levamos um tempo até nos darmos conta.
No fundo, vivemos por tentativas de querer viver aquilo por mais tempo. Abraçamos a menor das esperanças com a força que jamais imaginaríamos ter. Até aceitarmos os fatos da vida, vivemos pelas migalhas que ela dá.

Não é sobre viver pelas pequenas coisas, é sobre viver pelas coisas pequenas; que são coisas não tão iguais assim.

Isso significa que a surpresa de um inexpressivo “oi, tudo bem?” no chat do Facebook, renovava todas as minhas energias. Parece que todas as partes ruins da história se tornam boas quando coisas assim acontecem. Em momentos como este, ignoramos toda e qualquer pessoa que nos chamar, se for uma nova proposta de emprego ela bem que pode esperar; à quem gostamos, não. Queremos estender aquele segundo até torná-lo eterno. Cavamos assuntos como se quiséssemos dizer:

“Olha pra mim, eu sou interessante, nos damos tão bem, não desista do que somos, se é que somos! Nos deixa ser!”.

Foi mais ou menos assim que eu me compartava em silêncio com você.
Eu te mandava links de vídeos imaginando que poderia gostar, te marcava em fotos engraçadas e, rezando por sua atenção, comentava sobre as estreias do cinema. Eu assistia os seriados que você dizia gostar. Eu pararia o mundo se me pedisse pra parar. Hoje me pergunto se algum dia você percebeu como tentei te fazer especial na minha vida. Me pergunto se consegui te mostrar como queria muito mais que a sua companhia. E quando penso nisso fico feliz: é que eu sinto que fiz tudo o que eu podia, ainda que não tenha dado certo no fim como eu gostaria.

É que uma coisa é dar certo, outra é dar certo como gostaríamos.

Você não faz ideia de como eu me multiplicava em mil para estar à disposição para você. “Quer fazer alguma coisa?” era o tipo de pergunta que me fazia dirigir a 200km por hora pra te encontrar. Eu não queria perder nenhum segundo! Queria te ver logo, queria tão logo me ver nos seus olhos e sentir aquela coisa boa que eu sentia. Você não faz ideia da quantidade de batidas que o meu coração dava quando a gente se encontrava – era a minha batida perfeita. O celular gritava com diversas notificações, mas para mim nada importava. Eu demorava para escolher uma roupa boa para te acompanhar. Demorava para me arrumar e ficava preocupado em você se cansar de me esperar. Demorava tanto em me preparar porque eu queria que tudo fosse o mais perfeito, já que eu não sabia quando nos veríamos outra vez. Demorei tanto dedicando tempo para você que hoje entendo a demora que levei para começar a te esquecer. Eu nunca fui de viver as coisas no meio termo, mergulho de cabeça até nas notificações de mensagens lidas e não respondidas. Consciente dos lados bons e ruins, sou e sempre serei assim: profundamente coração.

Só que hoje eu quero te ver partir. Hoje é a última vez que eu me permito reviver coisas que nem chegamos a viver direito. Quero que hoje seja a última vez que eu vou dedicar parte da minha vida em pensar na parte dela que você estava. Levei um tempo para aceitar a sua partida, mas agora eu não imagino mais nem a sua visita. O assunto central aqui é a minha certeza de que o melhor lugar para você estar na minha vida é fora dela. Já aceitei minhas tentativas, valorizei minhas investidas e continuo apaixonado pelas minhas esperanças, mas cada umas dessas coisas eu não quero mais dedicar para você.

Não te desejo mal, só não te desejo mais. Vou seguir vivendo como vivia antes de você aparecer, afinal, antes de você eu já sorria. Vou seguir ansioso por bons dias, empolgado com as pequenas coisas, mas sabendo diferenciá-las das coisas pequenas. É isso. Você já pode ir, eu também vou. Não quero falar sobre a nossa parte boa, pois o que me importa agora é a parte boa da vida que eu nem vivi ainda.

-Márcio Rodrigues

Aconteceu - ou não

Eu podia dizer que foi tudo perfeito como eu sempre sonhei. Nós tivemos todos as fases, os processos, os passos. Nós crescemos juntos, evoluímos, demos um jeito na nossa vida, mudamos as direções buscando o melhor, fizemos as escolhas certas. Nós dividimos a vida, o apartamento, as inseguranças, as vontades e os planos. Nós choramos, brigamos, e fizemos sexo de reconciliação, sofremos por ciúmes, xingamos um ao outro e pedimos desculpas. Nós tiramos fotos, fizemos vídeos, rimos das nossas bobagens, conversamos sobre as nossas intimidades, fizemos juras de amor. Nós decoramos as coisas como queríamos, fomos ao cinema ver filme infantis, comemos porcarias no sábado à noite ao invés de sair pra festa, cozinhamos juntos rindo e fazendo uma bagunça. Nós nos apaixonamos todos os dias, nos dedicamos à nossa relação, tentamos.

Em parte verdade, em parte mentira, em parte esforço meu, em parte descaso teu.

"Eu achei que nós chegamos tão perto, mas agora com certeza eu enxergo que no fim eu amei por nós dois..."

-Juliana Gonçalves

Fala logo pra ela

<3
Ela, a moça que faz o melhor cafuné do mundo e que lhe dá café quando você fica de porre, não vai lhe esperar para sempre. Ela, provavelmente, desistirá de você – e da sua indecisão – no próximo mês. Ou hoje mesmo, um pouquinho depois das dez.

Não entendeu o meu recado, irmão? Serei mais claro: deixa de covardia e fala logo que é com ela – e só com ela! – que deseja ficar embolado quando tudo estiver mais do que certo ou à beira de dar muito errado. Não espera ela começar a achar você não quer nada com nada, e que a vê, apenas, como mais uma foda, alternativa para o dia em que não há balada ou UFC até de madrugada.

Fala pra ela que, nesta galáxia cheia de avenidas e vielas, nunca conheceu lugar mais aconchegante do que o colo dela. Diga: “É só você que me dá frio na barriga! É só você que, além de uma puta amiga, mata-me de tesão mesmo quando traja trapos, à la mendiga!”.

Não espera ela dizer “Não aguento mais a sua demora, tô indo embora agora!” para falar “Eu quero que fique de vez, pertinho de mim como se fosse meu gêmeo siamês e mil vezes mais feliz do que ficou com seu ex!”.

Fala logo, cara. Desembucha aquilo que, em seu coração, está mais do que evidente. Fala o que ela precisa ouvir para não começar a achar que você é só mais um trouxa. Diga pro seu chefe que está passando muito mal e passa no trampo dela pra dizer que não vai deixá-la passar por você como fez com aquela peça que já saiu de cartaz. Avisa que, pra fazê-la ficar, vai aprender a fazer pavê; e que ligará hoje mesmo pra Net, só pra aumentar o número de canais da tevê.

Liga pra ela, parça. Liga pra dizer tudo aquilo que seu sorriso não disfarça quando ela dança ou apenas descansa. Liga pra dizer que está ligado nela e desplugado da morena que conheceu na Portela e da ruiva que deixou lá na Inglaterra. Liga só pra dizer: “Quero virar o ano com você, ver seu medo dos fogos de artifício de perto. Ou, se preferir, podemos passar o Réveillon sob o meu edredom, eu só de barba e você apenas de batom. O que acha? Com você comemoro até com vodka Natasha!”.

Avisa logo, meu velho. Avisa que é com ela que está a fim de curtir a brisa do mar, do beck e da bossa-nova. Avisa que é com ela que deseja estrear a sua camisa nova e reexperimentar o Big Mac. Avisa que com ela – e só com ela! – está disposto a assistir à novela e a acordar bem cedinho pra dar rolê no parque de magrela. Avisa que por ela – e só por ela – vai tirar toda a poeira da panela, dos quadris e do seu terno de risca de giz. Avisa que fará tudo, tudo mesmo, para fazê-la feliz. Avisa que quer algo sério, que não quer mais nada pela metade ou para sempre com cara de por um triz, prestes a virar “Aqui jaz”. Avisa que não vai trocá-la por nada, nem por atriz de Hollywood ou por bunda violentamente empinada. Avisa que não vai deixá-la quando as rugas chegarem pra avisar que está no fim da juventude. Avisa agora, antes que ela mude de modos, medos, ideias e endereço. Avisa antes que ela, por falta de aviso claro, ache que você está longe de querer algum compromisso. E se encante por um moço que, diferente de você, amará sem ser omisso, deixando muito claro o que pensa acerca de tudo isso.

- Ricardo Coiro

Sobre um antigo


Depois de alguns bons anos de distância que a vida proporcionou, voltamos a trocar aquela meia dúzia de palavras por dia, rir das besteiras e das tantas histórias que temos pra contar, e admitir - depois de muito orgulho - que sentimos saudade. Não que eu não tenha seguido a minha vida, nem que tu tenha passado me esperando, muito menos que a esperança de voltar esteja intacta. Eu diria que muitas águas passaram por baixo da ponte, mas mesmo assim, ali no cantinho, um pouquinho de vontade sobreviveu, e envelheceu, e amadureceu, e resolveu dar as caras. Por que, por incrível que pareça, depois de tantas palavras ríspidas e sentenças de vingança e morte, a nossa confiança e esse jeito da gente se conhecer aparenta estar mais forte do que nunca. Esse fato de primeiro amor, essa troca de experiências, de vidas foi mais do que o suficiente pra hoje mostrar que na verdade, ainda brilha. A gente nem cuidou, não alimentou, pelo contrário, fizemos de tudo pra que acabasse. Mas parece que não adianta, o que é pra ser.....
-Juliana Gonçalves

Mudou

PRINCE$A | via Tumblr
Queria te dizer que não sinto saudade mais, na verdade costumava pensar na gente durante o dia, mas a rotina vai mudando com o tempo. Eu até pensei que não ia conseguir sair dessa, por um momento me desesperei, mas ando muito melhor do que, inclusive eu, pudesse imaginar. Posso te contar que resolvi tocar a minha vida como eu realmente quero, sem medo de tomar atitudes atrevidas. E ando ocupando meu dia-a-dia com várias coisas divertidas que não fazia antigamente.
Na verdade, queria te dizer que refleti muito sobre esses anos lado a lado, e me vejo de cabeça erguida e consciência totalmente limpa. Pra ser bem sincera, tenho dado muitos conselhos sobre amor próprio e não fazer mais pelos outros do que pra si mesmo. Acho que cumpri meu papel durante a nossa relação, e é claro que pecamos diversas vezes, talvez por falta, talvez por excesso. Mas posso dizer que dei o meu melhor, por tanto não acho que o fato de ter chegado ao fim tenha qualquer tipo de relação comigo. Também andei fazendo uma lista de todas as coisas ruins que aprendi contigo, pra caso eu tenha alguma recaída, eu me lembre o significado de angústia. Depois de terminar os vários itens senti tanto desprezo que cheguei a apagar, tenho certeza de que não terão recaídas, tudo anda muito claro na minha cabeça.
Queria dizer que várias vezes acordei chorando, o que é bem bizarro por que nunca tinha acontecido, mas percebo que é um reflexo de muita coisa guardada ligada à nós, e me questiono friamente como consegui aguentar tanto tempo. Nessas horas me arrependo unicamente do fato de um dia ter dado início a essa história. Por outro lado agradeço pela minha evolução, afinal o que não mata nos fortalece. Não tenho procurado nada que esteja vinculado ao teu nome, nem a tua pessoa por que sei o quanto me faz mal. Embora volta e meia descubra assuntos um tanto quanto engraçados e solto uma risada ou outra, não de alegria pela desgraça alheia, mas de pena mesmo.
Não afirmo nada com relação ao futuro, não me considero nenhuma experiente no dia de amanhã, mas esse roteiro eu já li algumas vezes. Se aparecer um pouco de maturidade por aí, já sei de quem serão as ligações desesperadas das próximas noites. Caso isso não aconteça, eu realmente sinto muito, por que percebo que tem como alguém ser mais vazio do que eu imaginava.
Quanto à vinganças e afins, eu já passei dessa fase de precisar viver de aparências. Dizem que a grande felicidade é aquela que não precisa ser compartilhada, pois reconhece o sono sutil da inveja. E sobre o meu estado de espírito: diria que ando tão leve que já não tenho visto mais o chão, nunca estive tão bem em toda a minha vida, e dispenso a sua preocupação.
-Juliana Gonçalves

7.9.15

A saudade foi embora

Há algum tempo me flagrava lembrando de momentos bons, de sorrisos, de planos.... Hoje me deparei com diversos fatos que me fizeram muito sentido, que me tiraram o chão e ao mesmo tempo me impediram de continuar sonhando, e me questionei por que motivo bobo acreditei em qualquer coisa que tenha acontecido nesses últimos anos. Podia passar horas brigando ou discutindo os detalhes de tudo que ocorreu, podia pedir explicações, implorar uma razão pra essas atitudes deploráveis. Prefiro não falar nada. A saudade juntou as malas e foi embora, não valia mais a pena ficar aqui dentro, ela nem ao menos fazia sentido. Assim me fez perceber o grande passo que dei ao ter te deixado sair por aquela porta. A gente tem cotas na vida, tem limites, inclusive pra aguentar mentira, traição e tantas outras coisas. A gente aprende que tem pessoas que simplesmente são vazias, que não se sente raiva, nem ódio, apenas desprezo, pena. Se por tanto tempo me esforcei por algo melhor, hoje lavo as mãos, deixo pra trás um peso, o arrependimento de ter dito sim, a insignificância. Deixo que o tempo se encarregue dos tropeços, das caídas, dos amadurecimentos, que no fundo nunca foi minha responsabilidade. Erro meu ter achado que valia a pena tentar, precisamos aprender a não ajudar quem se encontra sozinho, pois o motivo dessa condição pode ser merecimento, e não acaso.
-Juliana Gonçalves

4.9.15

Os conselhos

Lifee
E se a vida é feita de fases, ainda bem que me vejo por cima. Ontem ainda estava pensando que cheguei em casa tarde da noite e cheia de vontade de viver. Sorrindo a toa, cantando alto, e pensando em tudo que tem acontecido. Me deixei fluir, descarregar o peso das costas que eu faço sempre questão de sustentar mesmo nem sendo minha obrigação - na maioria das vezes. Depois dei conselhos, de amor próprio, de vida plena, de escolhas e sobre como é bom fazer o que quiser na hora que quiser sem ter que se preocupar o tempo inteiro com o medo de ser trocado ou deixado e tudo mais. A gente acaba não se dando conta de como idealizamos os momentos, as atitudes, pra que fique muito melhor. E quem diria, eu vendo tudo tão claramente tão pouco tempo depois. Tão fora do normal aceitar e seguir em frente dessa forma. Talvez tenha percebido que não é pra mim essa coisa de se desmerecer ou se submeter. A felicidade pode ser mais bonita do que a gente imagina. E se amar, meu bem, é o primeiríssimo lugar na lista de prioridades. A vida também é feita de pequenos momentos, mas mais ainda de merecimento. Não precisa esperar pra ir atrás daquilo que te faz falta, e pra mim me fazia falta sorrir pra vida.
-Juliana Gonçalves

2.9.15

Deixa fluir

Assim até parece que ela não aprendeu nada, ali deitada na cama, sem perspectiva, sem sonho, sem vontade. É isso mesmo, não percebeu algo estranho?! Levanta essa cabeça, vai dar uma geral nessa casa com cheiro de mofo e coisa velha, põe tudo que não presta fora. Deu de ocupar espaço com o que não vale a pena, tem tanta coisa nova por chegar. Passa uma vassoura no chão, organiza o que anda bagunçado, prepara aquela comida gostosa. Agora o sol vai entrar e renovar esse lugar, vai corar a pele, deixar a brisa passar e levar embora tudo de pesado que ficou por aí depois dessa tormenta. Abre o armário e pega aquela calça que combina perfeitamente com aquela camisa, mas que parece meio arrumado demais. Hoje é dia de se arrumar mesmo, de usar aquele sapato maravilhoso que fica escondido no armário, não economizar na maquiagem, e notar que o cabelo fica bom quando a gente sorri. Agora abre a porta e sai, vai dar uma volta, conhecer gente nova, pensar em outras metas, traçar mais objetivos. O roteiro com os protagonistas antigos já ficou enjoativo, a história se tornou tão cansativa e sem graça. Põe o ponto final que falta, não nesse capítulo, mas no livro inteiro. Organiza ele na estante como qualquer outro, agora tá na hora de começar a escrever um novinho e com uma caneta de cor diferente e mais bonita. Deixa o destino fazer o trabalho dele, mas dessa vez cuida pra não aparecer nenhum intruso querendo apagar o brilho interno, nem se sentir mais importante que os teus sonhos. Às vezes o dia a dia apaga os pequenos momentos, e faz a gente esquecer que precisamos cuidar mais de nós mesmos. Quem sabe não é melhor inverter essa história e acordar todos os dias com força pra aproveitar o que der, a gente nem sabe o que o futuro reserva. O que se tem por dentro não há como tirar, então é melhor construir aos poucos quem nós vamos ser, por que o que vier é lucro, e por um acaso a sorte tem andado perto ultimamente.
-Juliana Gonçalves