28.7.16

Não deixamos de ser

Imagem de love, couple, and car
Sabe o que é? A gente teve mais tropeços que acertos, e eu sempre apontei o dedo pra desabafar todos os erros e todos os danos. É mágoa em cima de dor, um sofrimento imenso, um aperto na garganta. Passou há pouco o dia do amigo. Não parei pra te mandar nada. Acho que em algum momento, precisava sentar pra te agradecer, e por ser o motivo de a gente não deixar de ser - apesar dos pesares. Esse texto é pra ti, que acordava no meio da noite quando eu tinha pesadelo, e me fazia recostar no teu peito dizendo que ia ficar tudo bem. Pra ti, que aguentou minhas mil e uma crises, minhas choradeiras de insegurança, minha longas horas na cozinha pra engordar um pouquinho enquanto tu pensava em academia. Pra ti, que cantou comigo no carro, que me fez cosquinha pra me ver rir, que nunca negou carinho, que me mandava mensagem durante o dia mesmo sabendo que ia me ver em poucas horas. Isso tudo é pra agradecer por ter me feito crescer tanto, por encaixar tão bem na nossa casa, por me mostrar como pode ser maravilhoso dividir as escovas, por me fazer mulher de uma forma inigualável. Por que a gente sabe a longa história, os anos que passaram e as brigas. A gente sabe os pontos finais que só serviram pra reiniciar a história. A gente sabe como o adeus nunca foi pra se desligar. Mais do que qualquer outro rótulo, vem amizade, e mais do que tentar resgatar algo que já passou, vem nós dois. Que não tem como explicar, que não tem como entender, que é amor e muitos outros sentimentos. Espero que a gente nunca deixe de ser, mesmo não estando mais.
-Juliana Gonçalves

20.7.16

Quando se acorda

De repente a falta já não era saudade, e apego já não era amor. De um dia pro outro, percebi que o que me tirava o chão não era a tua falta, mas a falta de alguém. Talvez por que, por muito tempo, eu acreditei em algo insubstituível. Pelo motivo da saber que a gente encaixava de uma forma louca, e que a gente se conhecia como irmãos, e que no fundo eu sabia que a nossa amizade era, provavelmente, a coisa mais importante que eu tinha. E mesmo assim, sentei na cama e te esperei chegar, por tantas vezes. E pedi desculpas por teus erros teus. E achei que merecia um carinho raso, assim, como sempre recebi. De repente, eu percebi que talvez a janela pudesse ser aberta, que o sol ia ser bem vindo, sabe? Eu notei que eu valho o valor que eu atribuo a mim mesma. E de forma alguma seria justo negociar. Tu, sempre tão malandro, sempre com medo de ser passado pra trás, sempre querendo estar um passo à frente... Tentar te alcançar me cansa. [...]
-Juliana Gonçalves