27.9.14

O fato de não te ter mais

photographer  | via Tumblr
Passo a semana inteira esperando pelo fim de semana, e toda a vez que ele chega, eu respiro fundo, e me afundo na cama, com esse barulho do ventilador, com a escuridão meio clara da noite, na frente de folhas em branco, músicas confusas e incertas e ao mesmo tempo o silêncio e o vazio de dentro de mim. Dou uma vasculhada pelo mundo do meu celular, tentando te encontrar, e me convenço de novo que, de uma vez por todas, dessa vez, eu vou me virar sozinha. Eu juro.
E depois, a semana me engole de novo, o tempo passa correndo tão rápido que só quero o meu espaço da semana em que posso tentar por pra fora aquilo que fica trancado aqui há tempos. Te procuro nos textos, nas letras que podem nos descrever, e finalmente que eu possa ler algo e pensar: é exatamente isso. Mas isso não existe, por que eu tento, e até hoje não achei.
Não sei se eu mesma me escondo pelos cantos dessa casa, ou se esse sentimento se esconde dentro de mim. Não sei se esses erros e tropeços foram tão significantes assim, ou eu simplesmente não quero mais arriscar – por que dói. Não venho reclamar que meus passos estão mais lentos, meu pensamento anda longe e a atenção já não mora mais em mim. Não venho se quer querer demonstrar alguma coisa. Fica mais fácil assim, ou pelo menos aparenta. Às vezes precisava só de uma chance de limpar a alma, deixar escorrer as frustrações e largar tudo pra trás.
Ponho minha autoestima no lugar, seguro com força a minha segurança, e ergo a cabeça. Mas sempre que te vejo indo pra longe, tudo escapa do meu alcance. Me sinto de novo indefesa, com medo, quase implorando por alguns segundos de tranquilidade emocional, ou sei lá o que. [...]
(Juliana Gonçalves)

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