13.9.14

Mesmo assim

Gostava de brincar, jogar as cartas já sabendo quem venceria, bajular esperando a mesma resposta, sorrir e te ver sem jeito de novo. Gostava das primeiras vezes, dos primeiros passos, dos nossos receios, medos, curiosidades, da forma leve e segura que punha as mãos sobre o meu corpo, e me acariciava até eu recostar sobre teu peito, implorando que a noite não se acabasse nunca. Gostava das nossas trocas de olhares tímidas, das implicâncias sem fundamentos, dos ciúmes descomprometidos, das nossas histórias de aventura mesmo que sem sermos um só. Gostava de tua pretensão de me ter quando queria, da certeza de me pedires a mão e eu estender o braço, das loucuras impróprias, inclusive pra nós dois. Gostava de como a vida sempre deu um empurrãozinho, e como não deixamos que ela nos atirasse de uma vez só. Gostava de como nós éramos inocentes, mesmo que ela ficasse esquecida em casa quando eu ia te ver. E gosto de ver o quanto de tempo passou, e ainda posso abrir os olhos e me surpreender, ainda sinto o frio na barriga sempre esperando sentir a primeira vez alguma coisa diferente, por que a gente não explica, nunca explicou, só deixou acontecer, e cá estamos nós... [...]
Xoxo

(Juliana Gonçalves)

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