12.2.14

O motivo

Sofia Diamanti


"...Sabe, gostaria de te falar sobre as pipas. Vamos lá: para voarem, elas precisam de dois ou três nós bem dados, vento ao seu favor e alguém que esteja disposto a segurar firme para que elas se mantenham vivas, lá em cima. Um trabalho a dois, sabe? Uma troca. Seu mestre dando-lhe firmeza para voar através da habilidade que há em suas mãos, e ela, colorida, lhe proporcionando diversão lá de cima. Porém, quando as pipas percebem que não há mais força para permanecerem em firmeza, elas vão embora. Parece até que possuem sentimentos.
Assim fui eu. No caso, sendo a pipa. Amarrado por uma linha sem cerol por muito tempo em você e por você. Como pipa, estando por cima, eu vi tanta coisa. Ouvi tantas outras.
Mediquei com carinho e atenção o teu coração que adorava se machucar tantas vezes. Ouvi teu silêncio choroso, fiz tuas inúmeras vontades e bastava uma mensagem, uma simples carinha triste no visor do meu celular, para que eu não pensasse duas vezes em ir ao teu encontro.
Querida, eu fui para você o que eu nunca consegui ser nem mesmo para mim. Dei-te meu tempo, minha paciência, meu colo, meus conselhos, meu abraço, meu cheiro, meus olhos, meus ouvidos, meu sono, e abri mão até de alguns amores para andar lado a lado com você. Caso caísse, ainda que se ralasse, teria alguém por perto para fazer um curativo e tentar te arrancar um sorriso..."
(Wesley Néry)

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