
Ele chegou meio de canto de olho, desengonçado, sem princípios, nem vontades, nem planos, nem promessas. Ele veio como quem não quer nada e tomou minha liberdade de querer ir e vir sozinha. Ele mudou o jeito com que eu gargalhava, mudou a forma com que eu caminhava, mudou o lado que os ventos sopravam em dia de frio. Ele veio se achando, quis me ter nas mãos e acabou deitando ao meu lado, sussurrando palavras de amor em manhãs de domingo. Ele não queria se apegar e acabou se apaixonando - e me encantando. Ele, que talvez fosse mais uma vagante pelo mundo, escreveu as metas, traçou o mundo e veio pedir aconchego ao meu lado pra trilhar as linhas. Ele dizia não ser fraco com as mulheres, e hoje admite estar nas minhas mãos. E quem seria eu, mudar um homem e deixá-lo sozinho!? Ele fez com que eu me apegasse a cada cheiro, a cada gesto, a cada gíria, a cada brincadeira, a cada detalhe. Ele fez com que eu me virasse de cabeça pra baixo, sem rumo, e não quisesse mais voltar. Ele, do meu lado, me faz esquecer cada lembrança, me faz deixar cada saudade, me faz querer o novo. Ele me quis dos pés à cabeça, me deixou embaraçada no canto da sala esperando que viesse me puxar e dizer "eu te amo". Eu não queria esperar, não queria ficar ali por medo. Mas ele... Ele veio. E não só veio silencioso e despretensioso como superou toda e qualquer imaginação que pudesse ter passado pela minha cabeça. Com ele, eu não tenho jogos, nem trocas. Com ele, eu tenho entregas, tenho momentos, tenho intensidade. E por ele, eu até risco meus planos, eu monto meu novo mundo, eu mudo minhas metas. Por ele, eu me refaço, eu me jogo, eu não penso. Por que por ele, vale a pena...
-Juliana Gonçalves
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