A mulher
marcante sabe bem do seu poder, por isso consegue admirar tranquilamente a
beleza alheia, elogiar a grandeza de outrem sem sentir-se diminuída. Vez ou
outra ela sai bem vestida e bem maquiada, mas por trás daquilo tudo ainda exala
um aroma de naturalidade que encanta. Cultua a beleza porque gosta, mas
definitivamente não precisa. A sensualidade está presente, mas não se pode
dizer de onde ela vem.
A mulher
marcante é, sobretudo, sutil. Ela não grita aos quatro ventos a própria
virtude, ela não precisa humilhar outras mulheres ou provocar os ex-namorados.
Ela realmente faz toda a diferença. Ela sabe ser dispensada com um ar sensato
que faz qualquer galã sentir-se um babaca. Ninguém jamais a abandona sem que se
arrependa amargamente pelo resto da vida, e ela guarda um encanto que não deixa
espaço pra críticas maldosas. Ela é do tipo que não quebra promessas e não
omite os próprios defeitos. Ela se aceita e nunca se desculpa por ser quem ela
é. Ela compreende a efemeridade das
coisas e das pessoas, mas se recusa terminantemente a ser efêmera. E não
poderia ser, mesmo que quisesse, porque ela sempre vem pra ficar. Mesmo depois
que vai embora, de alguma forma ela fica, porque é do tipo de mulher que não
precisa se fazer presente para ser lembrada. [...]
A mulher
marcante não se importa de ter gostos peculiares. Ela não segue tendências, mas
também não persegue a originalidade a todo custo. Ela não tem vergonha (e nem
orgulho) de dizer que gosta do que ninguém gosta, ou que gosta do que todo
mundo gosta. A opinião alheia nunca é um problema para ela, porque,
verdadeiramente, ela se basta. Sem petulância e sem egoísmo, ela se basta. E
por isso mesmo ela não sente necessidade de falar de si mesma, quase nunca.
- Nathalí Macedo

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