20.7.16

Quando se acorda

De repente a falta já não era saudade, e apego já não era amor. De um dia pro outro, percebi que o que me tirava o chão não era a tua falta, mas a falta de alguém. Talvez por que, por muito tempo, eu acreditei em algo insubstituível. Pelo motivo da saber que a gente encaixava de uma forma louca, e que a gente se conhecia como irmãos, e que no fundo eu sabia que a nossa amizade era, provavelmente, a coisa mais importante que eu tinha. E mesmo assim, sentei na cama e te esperei chegar, por tantas vezes. E pedi desculpas por teus erros teus. E achei que merecia um carinho raso, assim, como sempre recebi. De repente, eu percebi que talvez a janela pudesse ser aberta, que o sol ia ser bem vindo, sabe? Eu notei que eu valho o valor que eu atribuo a mim mesma. E de forma alguma seria justo negociar. Tu, sempre tão malandro, sempre com medo de ser passado pra trás, sempre querendo estar um passo à frente... Tentar te alcançar me cansa. [...]
-Juliana Gonçalves

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