
A vida é feita de riscos, é dos atrevidos, que metem a cara a tapa, dos que riem dos próprios erros e vibram pela audácia de fazer dar certo. Eu nunca fui assim. Eu sempre gostei de pisos concretos, de passos contados, de caminhos traçados. Eu sempre gostei do absoluto, desse jeito mesmo. De saber quantas páginas faltam pra acabar o livro, de saber quantos minutos faltam pra terminar, de saber quantos quilômetros faltam pra chegar. A vida vem, e vem como o vento no litoral num dia quente de verão. Vem e mostra estampado que a vida é sim feita de riscos. E mais: os fins chegam, por que as coisas boas não são eternas. Que graça teria? Sentir falta nos faz valorizar o passado, nos faz agradecer os aprendizados, as companhias, os velhos amores, os crescimentos. A vida vem e passa, rápido, mas avisando. Por que é isso, é fechar os olhos e aproveitar cada segundo, é não deixar pra amanhã, é não esperar, é não enrolar e mais, é persistir. Persistir em sonhos, em vontades reprimidas, em ser real, em encontrar essa felicidade que tanto falam. Aos que muito se enganam, a vida não se partilha, não se compartilha. A vida é intensa e única, e vem assim, pra jogar o tempo no colo e mandar fazer valer a pena. O suspiro fundo, o sorriso largado, o olhar profundo. A alma guarda o que a cabeça não entende e o coração não segura. Vai além. Não tem o que descreva, sabe? É daquelas coisas que a gente tem vontade de saber o final, mas também sabe que a emoção é o que nos move. Não viver por que a morte pode chegar. É mais. O medo sobe na espinha e desafia. A segurança não precisa dar as caras. A vida é sim, feita de riscos. É como dizem: o navio tá seguro no porto, mas não é pra isso que navios foram feitos.
-Juliana Gonçalves
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