
Já decorei as frases dos filmes românticos, chorei cada vez que vi e revi as histórias, pensei quanta coisa poderia acontecer, e nos meus sonhos mais loucos eu realmente quis que desse certo pelo menos uma vez. Tudo bem que já perdi as contas das desilusões, talvez realmente tenha cansado de acreditar, mas quando percebo, me flagro esperando de novo que chegue aquele pra dizer que é a exceção, que é diferente, que pode ser tudo exatamente como eu planejei, ou ainda melhor.
No fim das contas, arrumei meu vestido, desenhei como eu queria, passei, deixei ele pronto, comprei o sapato perfeito, os brincos, os anéis, fiz o cabelo, a maquiagem, me olhei no espelho e me senti a legítima princesa. Me faltava o par, que me olharia emocionado quando eu descesse as escadas, que me levaria uma flor, que abriria a porta do carro, que dançaria junto, que tornasse uma noite normal em um momento inesquecível.
Também comprei umas velas, pensei em um jantar, uma decoração, as luzes baixas e coloridas, um som de fundo, tudo arranjado. Mas dessa vez não queria organizar, não queria fazer planos, nem tentar surpreender. Queria ser surpreendida, queria chegar e receber de presente todo e qualquer chamego e carinho que existe nesse mundo, e talvez com alguma declaração pequena, notar que meus olhos se encheriam de lágrimas, e minha mão tremeria de nervoso.
E também pesquisei na internet um quarto em um hotel na beira do mar, o último andar, pra poder passar o ano novo à dois, com muita champagne, comida, lençóis, estrelas e amor. Não valeria a pena fazer sozinha, nem escolher qualquer companhia, por que só rola se fosse daquele jeito que eu sempre esperei.
Eu escrevo todas as minhas mais loucas vontades, não canso das minhas longas insônias tentando acertar o momento, o lugar, os diálogos, o clima e todo o resto. Mas pensando bem aqui, seria muito fácil dar as receitas, os passos, contar sobre como eu quero casar, como imagino uma família, e a vida daqui alguns anos. Queria mesmo é que eu me espantasse com coisas totalmente diferentes e que me fizesse feliz de uma forma que nunca pensei. Os clichês não saem da minha cabeça, por que a realidade enfraquece, mas os sonhos me salvam.
-Juliana Gonçalves
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