7.8.14

Aconchego mais quente nesse mundo não existe

Love
"Entra. Puxa uma cadeira. Senta. Ou senta aqui no meu colo, que aconchego mais quente nesse mundo não existe. E olha que hoje tá frio, hein. Mas a gente vai suar. Fica um pouco mais. O cobertor nunca é grande o suficiente, mas dá pra nós dois. Te faço sorrir. Te faço um cafuné. Te faço ter um orgasmo. Pra você ranger os dentes e se contorcer rendido, como se gladiasse já no chão, momentos antes de tomar o golpe fatal. E depois te faço adormecer, que é pra você sonhar com o que te faz sorrir. E amanhã, te faço um café preto e te levo na cama por puro esmero. Mas antes, te faço ter outro orgasmo, que é pra te molhar e depois te secar. Gota por gota. [...]

Acorda. Abre esses olhos mais lindos que os meus já cruzaram. Me dá um beijo, que o dia, quando começa assim, é mais gostoso. O despertador enche o saco, eu sei. Mas a gente dá um “soneca” e fica tudo em paz. Pelo menos por mais dez minutos. Que viram vinte, trinta, quarenta, uma conchinha malfeita, as primeiras roupas que o armário cospe, uma cara lavada e uma jornada de trabalho estendida até as sete e meia da noite, que é pra compensar o atraso matinal. Que quando é por causa da nossa preguiça ou da nossa luxúria, deus perdoa. E nem precisa rezar três ave-marias e um pai-nosso. Porque deus que é deus sabe que querer ficar mais uns minutos de conchinha não é pecado. E que querer transar mais um pouquinho também não é.

Então fica. À revelia do tempo, que corre feito maratonista quando a gente tá junto. Ignorando o dinheiro que a gente deixa de ganhar quando manda a produtividade e todas essas medições mesquinhas às favas. Acreditando que nossos chefes somos nós mesmos. Porque tempo, dinheiro e chefia é tudo coisa inventada pelo homem. Mas essa vontade de ficar mais um pouco… Ah, essa vontade de ficar mais um pouco só pode ser obra divina!"
-Bruna Grotti

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