
Olha o descompasso dessa dança, olha como os nossos corpos se separam, e se reencontram de um jeito tão forte, como a gente voa longe quando fica sozinho, como perde o rumo. Olha no chão, os nossos planos esparramados, as nossas vontades dentro daquela caixa, lá no canto, quase inexistente. Olha como a gente se evita, como a gente não consegue manter conversas longas e sinceras, como a gente não baixa a guarda. Olha só, como tu reages quando eu viro as costas, olha bem o que falas de mim, como não tem medo do que eu pensaria se soubesse de tudo. Não consegue agir com maturidade quando se trata de nós dois? Mesmo que seja um passado muito menos distante do que nós gostaríamos que fosse. Não consegue encarar de frente os problemas mal resolvidos, as palavras ditas sem filtro, a vontade de voltar atrás. Olha como tu não consegues agir quando toca no meu nome. E por que me usar assim? Como se fosse uma vitória eu puxar assunto, falar alguma bobagem... Como se fosse bom pra ti, eu ir atrás - até parece que mendigo alguma palavra de retorno, respeito, ou algo assim. Não tem, se quer, uma única vez, que eu tente voltar atrás. Não vale a pena. Se eu tento me justificar, do mundo de ainda pensar tanto, eu vejo que sempre vai ser o que passou. O presente já não justifica nada, só afasta, só machuca. Por que essa mudança? Tanta futilidade? Tanta perda de valores, contradições, controvérsias? [...]
(Juliana Gonçalves)
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